terça-feira, março 31

Quase racionais.

Olá caros não-leitores.
Já faz algum tempo que não leh escrevo nada mas é porque não tenho tido ânimo algum para coisa alguma, mas vamos ao que interessa, ou ao que não interessa, que seja, o texto.
Nós humanos nos consideramos racionais, pois sabemos nos reconhecer em frente ao espelho, temos polegares opostos, criamos materiais, com esses materias criamos ferramentas, com essas ferramentas criamos outros materiais, com essas ferramentas e materias criamos casas, prédios, cidades, e assim por diante. Também desenvolvemos ciências, na matemática descubrimos como calcular tudo a nossa volta, como transformar tudo o que conhecemos em números, sabemos o quanto mede, o quando pesa, o quão denso é, o quão largo é, ou quão tudo é, sabemos também milhares de algarismos inimagináveis por qualquer outro ser que habite nosso pequeno planeta. Nas ciências biológicas, catalogamos milhões de espécies, conhecemos nosso corpo em todos os ângulos e funções possíveis, e assim por diante. Na química, sabemos a fórmula de tudo o que nos cerca, a quantidade de matéria, o tipo de matéria, a substância, a densidade, o estado físico. Enfim, somos mesmo muito inteligentes, ou, como adoramos dizer, racionais!
Porém, somos tão, mas tão racionais, que matamos uns aos outros por pedaços de papel, dos quais sabemos a fórmula, o tamanho, a densidade, a matéria, temos a ferramenta pra produzi-los, e mesmo assim matamos milhares de nós mesmos, e de outras espécies que tanto catalogamos. Esses pedaços de papel se chamam dinheiro. E pelo dinheiro, nós estamos acabando com tudo o que estudamos. Estamos acabando com a camada de ozônio e suas moléculas, mols, matérias; acabando com as árvores, e suas espécies, filos, classes, famílias. Estamos acabando com os rios, e suas densidades, composições, comprimentos, nixos. Estamos acabando com o ar, e seus gases, líquidos, elementos. Estamos acabando com os animais, seus reinos, suas células, seus genes. Estamos acabando com o planeta, e tudo o que está dentro dele. Nossas ciências, nossas filosofias, nossas religiões, nossos Deuses, nossa literatura, nossa gramática, nossas sociedades, nossas civilações, nossa política, nossa economia, nossas cidades, nossas matérias, nossas ferramentas, nossa matéria para fazer ferramentas, nossas ferramentas para fazer cidades, nossas cidades para vivermos dentro, para gerarmos industrias, com o intuito de gerar com o motivo de estarmos acabando com tudo isso. Estamos acabando com o dinheiro.
Cruj Cruj Cruj, Tchau.

terça-feira, fevereiro 17

Soneto do amor à prazo















Dar-te-ei, meu amor
Tudo que lhe tenho dito
Mas paciente seja, por favor
Pois nem eu mesmo acredito.

Dar-te-ei, meu amor
Tudo o que há de mais lindo
Calarei teu frio com meu calor
Mas espera que já venho vindo

Dar-te-ei, meu amor
Petúnias, Violetas, Rosas
Ou qualquer outra flor
Acompanhada de versos e prosas

Dar-te-ei, meu amor
Memso que não à vista
Mas prometo, com clamor
Que dar-te-ei, quando vencer a preguiça.

Por Yuri Vandresen Pinto. No caso, eu.

segunda-feira, fevereiro 16

A pipa do vovô não sobe mais.





E não é só a pipa.

Olá caros não-leitores. Começarei esta postagem com uma expressão que vem sendo utilizada muito frequentemente ultimamente (Rimas ocasionais acontecem :D). "Em tempos de" Carnaval, escrever-lhes-ei sobre tal evento típico do neo-folclore brasileiro.
Sabe, há alguns anos atrás eu não entendia como tinham certas pessoas (velhos ranzinzas, para ser mais exato) que não gostavam de carnaval. Carnaval é uma festa bonita, cheia de cores, bem cultural, com as marchinhas bem-humoradas e criativas de sempre. Porque não gostar dessa folia gostosa onde todos são iguais e alegres por três dias completos?
Eu não entendia, mas de tempos pra cá passei a entender melhor. Não porque minha concepção mudou, mas porque o carnaval vem mudando. O pessoal das antigas (velhos ranzinzas) estava acostumado aos carnavais de salão, ou de avenida onde tocavam-se marchinhas com músicos ao vivo e todos fantasiados. Hoje em dia tudo mudou, meus caros. Se nesses dias de carnaval que tão próximos estão vocês forem à alguma lugar vão ver como é o carnaval de hoje em dia. Mas irei adiantar-lhes o que conheço sobre tal evento.
Mulheres semi-nuas em carros alegóricos já existem há tempos. Mas a música carnavalesca vem mudando. Hoje em dia o que se ouve é só um bate-estaca ou funk com letras pornográficas e pessoas dançando sem fantasia alguma e bebendo exageradamente, depois vão à estrada e se estrepam no asfalto. As marchinhas estão quase extintas, só alguns clubes mais tradicionais as tocam, e os desfiles quase sempre são severamente ignorados e trocados por shows de bandas de forró e entre outros 'pelegations'. Ainda há resquiçios de filiões que ajudam a manter viva a tradição das fantasias e do samba no pé, que é um dos maiores símbolos do Brasil, chega até a ser um estereótipo, mas não vêm ao caso.
O que lhes peço é que ouçam as marchinhas, botem aquela fantasia velha de seu pai, aquela com cheiro de naftalina e umas penas coladas com cola quente mesmo, e saiam as ruas atrás dos blocos de rua. Ajudem a fazer velhinhos ranzinzas felizes e a acabar com tal estilo de música tão fútil e incriativo que temos hoje em dia. Preservem a tradição. :)
Cruj Cruj Cruj Tchau.

quinta-feira, fevereiro 5

Um pouco de poesia inútil.






















Às vezes me pego a pensar
Sobre a extinção do amor
Sobre onde foi parar
O tão famoso, tão falado, tão declarado
Digamos assim

Perguntei à um qualquer
Talvez plagiando Sócrates
"O que achas do amor?"
Não ouve respota se quer
Se não uma expressão de singelo horror

E é assim que lhes pergunto
Meus caros que me estão lendo
Porque está sumindo o amor?
Porque estamos o perdendo?

As guerras já foram piores
As moças já foram mais feias
Os homens já foram mais jovens
Mas o amor se perdeu nas teias

Nos românticos como eu
Ou nós, não sei dizer
O encanto se perdeu
De mim não quer saber
De nós, talvez não.

Minhas rimas são simples
Às vezes até simples demais
São pequenos suplentes
Da falta que o amor me faz.

Algo que me faz falta
Lhes falo agora
Algo que já tive aos montes
Mas penso ter jogado fora.

Vindo do amor eterno
O que posso eu esperar
Se não essa falta
De insiparação para cantar?

Passo horas imaginando
O que falar ou escrever sobre
Mas a rima acaba me fugindo
Como uma burguesa esnobe.

Em versos de quatro linhas
Tento aperfeiçoar poesias
Mas nada que se compare
A rima que tu fazias

Não sei escrever sonetos
Nuna tentei um romance
Romance só protagonizo
E sonetos não me vêm ao alcance

Uma vez fui perguntado
"De onde tiras inspiração"
Respondi, não a tenho
Só inspiro respiração

Não tenho culpa
Se um dia alguém me deixou
Ou será que nunca me teve?
Será que algum dia me amou?

Parece-me que as rimas
Me estão voltando aos poucos
Mesmo que bregas como as de cima
E com o mesmo sentido louco

Despeço-me então
Com meu ultimo verso, com quatro linhas
Com minhas rimas bregas que são
Mas bregas, porém minhas.